sábado, 14 de março de 2009

Dia Nacional da Poesia


Imagem: WEB


O filósofo Platão afirmou que “todo homem é poeta quando está apaixonado.” Jamais ousaria contestá-lo, mas penso que para se fazer poesia, é preciso um pouco mais, pois a poesia é fruto da sabedoria, da sensibilidade, da observação atenta a todas as coisas fundamentais que nos rodeiam e da reflexão sobre o porquê de tudo que existe ou acontece.
A poesia é uma forma de expressão literária surgida simultaneamente com a música, a dança e o teatro. Dificilmente, encontraremos alguém que não a aprecie, pois o sentimento está centrado nas palavras que a compõem.
Hoje, no Brasil, comemoramos o Dia Nacional da Poesia. Abaixo, tentarei, em forma de versos, expressar o que entendo por poesia. Vejamos!

Poesia

Poesia vem da alma.
É releitura da realidade,
Quando dá um novo sentido ou formato às coisas,
Ao refletir uma visão particular do mundo.
É sincronia entre emoção, pensamento e palavras.
É emoção convertida em versos.
É eternizar beleza e sentimentos.
É a materialização dos sonhos e das fantasias.
É enxergar a simplicidade da vida
E transformá-la em algo extraordinário.
É construir pontes
Enquanto a maioria constrói muros.
É uma suave melodia dos corações sensíveis.
A poesia encerra em si todos os sonhos do mundo
E nos faz voar por espaços ilimitados ao encontro dos mesmos.


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terça-feira, 10 de março de 2009

Eu sei, mas não devia - Marina Colasanti

Este texto de Marina Colasanti foi publicado em seu livro de mesmo nome (Eu sei, mas não devia - Ed. Rocco - Rio de Janeiro - 1996). Com este livro Marina conquistou um prêmio Jabuti.
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Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher


Foto: Maria Luíza - Arte: Selene

Hoje, Dia Internacional da Mulher, após refletir um pouco, dei-me conta de que, mesmo ainda existindo mulheres que são vítimas de discriminação, machismo e violência, elas, em sua maioria, conseguiram, nas últimas quatro décadas, conquistar espaços jamais concebidos. Todavia, ainda não é o ideal e muito menos o merecido.

Tudo quanto a mulher granjeou, até o momento, foi com muito sacrifício. Ela é uma lutadora - este é o adjetivo que melhor a caracteriza. Mulher é sinônimo de garra, resistência e superação. Entretanto, apesar de todo esse espírito de luta, tem sido bastante injustiçada, por gerações e gerações, e obrigada a ocupar um papel secundário, de submissão e de dependência quando, na verdade, ela também contribui, de maneira efetiva, na construção da sociedade. Há até chavões que reconhecem o seu valor, mas não alteram sua posição hierárquica. Cito como exemplo o “Por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”. Veja: a mulher é “grande”, mas tem que ficar em segundo plano. Por que não lado a lado?

Embora todos tenham consciência de seu relevante papel, a mulher, até os dias atuais, ainda pleiteia um salário justo e o direito às mesmas regalias dos homens.

Em pleno século XXI, algumas pessoas “conservadoras” ainda acham que a mulher deve apenas permanecer em casa, cuidando do marido e dos filhos e que, em público, precisa ser discreta - quase invisível - e jamais ofuscar o “brilho” do esposo. Felizmente, muitas mulheres vêm reagindo, de forma mais incisiva, a esse conservantismo, deixando o conformismo de lado. Isto resulta na redução do número de pessoas com esse pensar e viabiliza as mudanças. Atribuo o mérito dessa reação à educação. Antigamente, elas não tinham acesso ao saber formal e, portanto, viviam alheias aos acontecimentos além dos seus “domínios”, não desenvolviam o senso crítico e, muito menos, tinham consciência dos seus direitos. A partir do momento em que tiveram acesso à educação, tudo vem, paulatinamente, se transformando. A mulher moderna, devidamente qualificada e politizada, amplia e consolida o seu espaço na sociedade. O mais interessante é que, a cada avanço, ela surpreende, pois tudo quanto faz é com esmero. Outro ponto que merece destaque é o fato de que a mulher, generosamente, utiliza o conhecimento adquirido em prol da sociedade que a discrimina – já que a mulher esclarecida cuida melhor de si mesma e de sua família e adota iniciativas que corrigem falhas nos diversos setores nos quais atua e, desta forma, ajuda a dar nova feição e melhorar a sociedade. Como ela tem conquistado cada vez mais espaços, mesmo com entraves, não há como passar despercebida. Uma boa parte dos homens já reconhece a sua competência e a admite publicamente. Isto tem contribuído para a sua admissão em diferentes profissões e setores - anteriormente, exclusivos dos homens - e na política. O impressionante é que ela consegue acumular e conciliar múltiplas funções sem comprometer a qualidade do trabalho, o seu desempenho no lar e a sua feminilidade.

Espero e desejo que não esteja muito longe o dia em que todos, sem exceção, outorgarão à mulher o seu devido valor.

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quinta-feira, 5 de março de 2009

Dia do filatelista

A filatelista Josselene - Foto: arquivo Gazeta do Oeste - Arte: Selene

Hoje é o dia do filatelista. Eu também me incluo entre os milhões de colecionadores de selos existentes no mundo. Atualmente, este hobby está um tanto fora de moda, principalmente, entre os mais jovens. Isto se justifica pelas inúmeras facilidades da internet, e de tantas outras opções, que absorvem o tempo livre dessas pessoas e inviabilizam o crescimento do colecionismo de selos que demanda tempo, paciência e organização. É, sem dúvida, uma concorrência desleal, apesar de que muitos filatelistas já utilizam a internet para intercâmbio de material e de informações.

Particularmente, aprendi e aprendo bastante com a filatelia. Esses pequenos e belos pedaços de papel, além de custearem a troca de correspondência, também nos ensinam muito, pois cada lançamento filatélico é cuidadosamente planejado.
Quem coleciona selos tem em suas mãos imagens da fauna, da flora e do folclore de centenas de países, entre tantos outros temas já estampados, e um roteiro cronológico dos principais acontecimentos da história da humanidade.
Então, aproveito esta data para enviar os meus parabéns para você que sabe e reconhece o verdadeiro valor de um selo.
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terça-feira, 3 de março de 2009

Definitivo

Imagem: WEB


Este é um poema-lição de Carlos Drummond de Andrade. Sugiro que você deixe-se levar pela sabedoria dos seus versos e, certamente, evitará muitos dissabores em sua vida.


Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado
e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades
que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho
é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos
em que poderíamos estar confidenciando
a ela nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim
que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos
e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia
por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço
de que o desperdício da vida está no amor
que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...

O fim do mundo: mais um alarme falso

Provável mudança no campo
magnético terrestre - Imagem: WEB

A nossa necessidade intrínseca de compreender o mundo no qual vivemos é, entre outras coisas, o que nos diferencia das demais espécies. No decorrer da história, as inúmeras civilizações, que habitaram este planeta, sempre tiveram uma curiosidade em comum: saber quando será o fim do mundo.
Recentemente, THC (The History Channel) – canal de TV a cabo americano que apresenta documentários diários e semanais sobre temas diversos, principalmente, de teor histórico – produziu um documentário apelativo que trata de uma suposta profecia maia sobre o fim do mundo. O mesmo será exibido, nesta primeira semana de março, durante a programação daquele canal. O interessante é que o simples anúncio do documentário já chamou a atenção de muita gente e tem provocado discussões na Web, nos jornais e em redes de televisão.
Não podemos negar que esse povo pré-colombiano possuía um elevado grau de desenvolvimento e que seu calendário complexo e holístico foi um dos mais precisos já elaborados pela humanidade. Também não é à toa que sua cultura sempre foi muito valorizada e o seu povo digno de credibilidade, apesar da origem incerta. Acredita-se que talvez tenham vindo do norte para estabelecerem-se no sul do México por volta do ano 1.000 a.C. Eram pessoas de baixa estatura, braços compridos, mãos e pés pequenos e cabelos negros e lisos que habitaram a região das florestas tropicais das atuais Guatemala, Honduras e Península de Yucatán (região sul do atual México). Viveram nestas regiões entre os séculos IV a.C e IX a.C. Entre os séculos IX e X , os toltecas invadiram-nas e dominaram a civilização maia.
Segundo a tal profecia, se fizermos a conversão do calendário maia para o nosso, o fim do mundo ocorrerá, exatamente, em 21.12.2012. Temos, portanto, apenas três anos para desfrutar do que o mundo pode nos oferecer.
Na realidade, tudo não passa de um alarme falso. Não há profecia e os astrônomos são categóricos em afirmar que tal evento astronômico é impossível de acontecer – pelo menos nos próximos anos!
Na verdade, o documentário é apenas uma junção de elementos isolados atribuídos aos maias, relacionados com outras profecias; principalmente, as do I Ching (ou Livro das Mutações), de Merlin (personagem do Ciclo Arturiano que se refugiou nas terras escocesas e lá fez muitas previsões para o futuro) e de Sibyl (a profetisa romana).
O fato é que o calendário maia presume, apenas, que o mundo sofrerá alterações graves, que o transformarão, e estas ocorrerão no solstício de inverno de 21 de dezembro de 2012 – dependendo de suas consequências, não teremos clima ou vida para celebrar o Natal nesse ano. Já pensou?! Detalhe: alterações graves o mundo já vem sofrendo - como aconteceu, recentemente, após a Tsunami, que mudou o eixo da Terra. Todavia, isto não quer dizer que o mundo chegará ao fim.
Em síntese, não há motivo para pânico. Profecias do fim do mundo já existiram e sempre existirão – elas são atrativas, vendem bastante e, infelizmente, muitas pessoas se deixaram e se deixam influenciar e enganar. Os cientistas calculam que a terra durará, ainda, cerca de 5 bilhões de anos – temos que esperar o sol inchar – Imagine! Então, “muita calma nessa hora” e nada de preocupações baseadas em previsões vagas ou manipuladas, certo? Neste caso, até dezembro de 2012 – quando, mais uma vez, este tema voltará à tona com força total.

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domingo, 1 de março de 2009

Boas-vindas

Imagem: WEB

De repente, não mais que de repente, dei-me conta de sua presença!
Estive tão absorta, em meus afazeres, que não o vi chegar. Mas você não perdeu tempo, hein?! Está cumprindo, à risca, o seu itinerário. Realmente, estávamos todos somente aguardando a sua chegada para, de fato, tudo começar. O carnaval passou e as férias escolares acabaram. Não temos mais desculpas. Agora, só nos resta dar início a mais um ano e contribuir para que ele seja de muitas realizações, conquistas e, principalmente, de mudanças que tornem o mundo melhor, mais justo e mais digno de se viver.
Bem-vindo, mês de março!
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