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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Que descanse o imortal!


Tocou-me profundamente a notícia da partida definitiva do renomado historiador, pesquisador e escritor caraubense Raimundo Soares de Brito – com relevantes e impagáveis serviços prestados a Mossoró.
Eu ainda era adolescente quando o conheci nas dependências do Museu Municipal. Na época, também funcionava, nesse mesmo espaço, a Biblioteca Pública. Raibrito trabalhava lá como pesquisador e gostava de incentivar os jovens não só a estudarem, mas também a colecionarem selos. Meu primeiro lote de selos foi um presente dele. Como, anteriormente, havia ocupado o cargo de Gerente Postal e Telegráfico em Mossoró, naturalmente, passou a colecioná-los – tinha uma caixa cheia deles e os ofertava a quem se interessasse por esse hobby. Por sua influência, acabei me tornando filatelista. Chegamos, inclusive, a participar de exposições do Clube Filatélico e Numismático Mossoroense, no qual ocupei o cargo de vice-presidente por alguns anos. Costumava visitá-lo, em sua residência, sempre que resolvíamos fazer um novo pedido às filatélicas brasileiras.
Na primeira vez em que lá estive, fiquei impressionada, melhor dizendo, encantada com todas aquelas estantes – que ocupavam quase a casa inteira – repletas de livros metodicamente catalogados. Era um verdadeiro paraíso para quem gosta de cultura, de história, enfim, de ler. Para completar, ainda tinha a sua amável e simpática esposa Dona Dinorah. Nessas ocasiões, conversávamos muito e, confesso, era difícil sair de lá, pois me sentia bem e não faltavam assuntos. Eram horas de valioso aprendizado com aquele experiente e sábio casal. Coincidentemente, depois que ela se foi, em 2004, tudo mudou: o trabalho me absorveu, a filatelia teve que ficar em segundo plano e o meu amigo, algum tempo depois, precisou mudar-se para Natal, a fim de cuidar melhor de sua saúde. Esporadicamente, sabia notícias suas pela mídia e através dos amigos que temos em comum.
Raibrito foi um homem que justificou sua passagem pela terra. Sua obra (cerca de 50 títulos) tem um valor incalculável. Mossoró lhe deve todas as honras, pois o fato de não haver nascido nesta cidade não o impediu de pesquisar, resgatar e preservar a nossa história.

(Escrito por Josselene Marques)

À direita, Raibrito em uma solenidade na Agência dos Correios de Mossoró
(Ano de 1974 - com um representante do Governo Federal)
Esta foto foi mais um presente de Raibrito para mim

O verso da fotografia e o seu oferecimento


Abaixo, a nota de seu falecimento:

Nota de falecimento: Raimundo Soares Brito


A Secretaria de Cultura do RN e a Fundação José Augusto comunicam com grande pesar o falecimento do grande escritor potiguar Raimundo Soares de Brito, Raibrito, que aconteceu na tarde desta terça-feira, 27 de novembro. O velório será realizado em Natal e o sepultamento em Mossoró. 

Raimundo Soares de Brito, popularmente conhecido como Raibrito, foi uma dos grandes expoentes da literatura potiguar, tendo escrito 50 títulos e ocupado a cadeira número 4 da Academia Mossoroense de Letras. Do seu hábito de colecionador, reuniu recortes de jornais, documentos históricos, catalogando-os e preservando parte viva da história contemporâneo do Rio Grande do Norte. De suas pesquisas nasceu um dos mais importantes registros sobre as ruas da cidade de Mossoró, o livro Ruas e Patronos de Mossoró.

Ao longo de seus 92 anos de história, foi um escritor de raros dotes e pesquisador autodidata, tendo entre suas grandes contribuições a criação da maior hemeroteca do Estado, o acervo virtual Raibrito, com o apoio da Petrobrás e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP). Além de ter sido sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, sócio-efetivo do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP),  sócio-efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN). E, em 1995, foi homenageado com o título Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e, em 1997, com o diploma Amigo da Cultura. Sua trajetória evolutiva foi um testemunho de independência cognitiva, que ficará de exemplo para as próximas gerações.

Imagem: David de Medeiros Leite

Fonte:  http://secretariadeculturarn.blogspot.com.br/2012/11/nota-de-falecimento-raimundo-soares.html

sábado, 1 de setembro de 2012

Rumo ao centenário: 90 valiosos anos de vida

Maria do Carmo relendo "O grande industrial" de Jorge Ohnet 

É com prazer que faço este registro: há exatos 90 anos nascia Maria do Carmo de Farias. Esta tia – a quem amo como se minha mãe fosse – é a mais velha de cinco irmãos. Atravessando décadas e gerações, sua vida tem sido um exemplo de força, persistência e nobreza de caráter; sua presença/existência é um referencial, um porto seguro; enfim, ela é uma fonte inesgotável de sabedoria, experiência e memória – um arquivo vivo da história da nossa família que, há anos, vem sendo repassada a mim e a todos que por ela se interessam.

Entre tantas qualidades, o que mais me impressiona é o seu autodidatismo. É capaz de discorrer, com pertinência, sobre os mais diferentes assuntos do presente e do passado sem aparentar insegurança ou cansaço. Embora tenha cursado as séries iniciais na escola regular (superando obstáculos extras, como a falta de professores – qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência , alfabetizou-se aos sete anos), a maior parte do seu saber é oriunda da leitura espontânea e incansável de centenas de livros – muitos deles lidos, com avidez, à luz de lamparina.

Aos oito anos, foi incentivada, por seu pai, a ler o primeiro livro – meu avô o tomara emprestado. Diferentemente da maioria das crianças dessa faixa etária, que leem livros ilustrados ou gibis, o referido exemplar, um tanto volumoso para uma leitora iniciante, foi nada mais nada menos que “O grande industrial” (Le Maître de forges, escrito em 1882), um romance histórico do narrador e dramaturgo francês Jorge Ohnet (Paris, 1848 – 1918). O segundo, de sua vasta lista, foi “Carlos Magno e os 12 pares de França” cuja primeira edição data de 1728, de autoria do médico militar Jerônimo Moreira de Carvalho. Agora, imaginem o naipe dos outros que sucederam estes dois na sua adolescência, juventude e maturidade.

Certo dia, em uma de nossas conversas, ela manifestou o desejo de reler aquele primeiro livro de sua infância. Na ocasião, revelou-me que o havia procurado, mas infelizmente não o encontrara nem na biblioteca e muito menos nas livrarias locais. Sensibilizei-me e tomei como um desafio localizá-lo e adquiri-lo para ela. Graças à bendita internet, consegui comprá-lo em um sebo virtual. Reconheço-me incapaz de descrever a sua expressão de felicidade ao ter, em suas mãos, não apenas a oportunidade de voltar ao final da década de 20 – época em que leu esta obra, mas também ao final século XIX, tempo em que se passou a história narrada neste romance de cavalaria e de exaltação da fé cristã. 

Quando nasci, esta tia amada estava fechando a casa dos 40 anos e vivia bastante atarefada: sua energia e seu tempo eram dedicados ao esposo, aos sete filhos, às tarefas do lar e a um comércio que eles mantinham. 

Nossa afinidade vem de longa data e tem se manifestado de várias formas. A mais intrigante – até para mim – é o fato de, na minha infância, eu conseguir adivinhar o dia em que receberíamos uma de suas raras visitas – segundo minha mãe, nesses dias, eu acordava já falando a respeito dela e tínhamos apenas de aguardar umas poucas horas para vê-la chegar com o seu jeito todo especial e cativante de ser. 

Atualmente, além da coincidência de gostos e sentimentos, há uma espécie de comunicação extrassensorial de pensamentos entre nós: em determinados momentos, é recíproco e simultâneo o desejo de nos falarmos. Nessas horas, um contato telefônico contorna a distância, pois, lamentavelmente, não moramos na mesma cidade e as visitas têm se tornado, cada vez mais, inviáveis. Todavia, nosso laço é inabalável, pois é permanentemente fortalecido por sentimentos de amor, respeito, admiração e consideração. 

Fazer 90 valiosos anos com lucidez, ao lado dos familiares, é um privilégio e tanto. É mais uma marca. É fazer uma conversão para a estrada rumo ao centenário.

Na Sua Misericórdia, que Deus lhe conceda mais saúde a fim de que possa permanecer entre nós, com relativo conforto, pelo tempo que Ele permitir. 

Mesmo na distância, eu me faço presente através deste texto. Reafirmo o meu amor e digo: “quando crescer”, quero, no mínimo, ser parecida com a senhora. Feliz Aniversário!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Meio século!

Encanto-Há, Praia Redonda/Ceará/Brasil
Foto: Joilson Filho

Geralmente nós, adultos, e principalmente as mulheres, costumamos esconder ou reduzir a idade. Pudera! Assumidamente vaidosas – e com tantos recursos para rejuvenescimento existentes no mercado e na medicina, torna-se difícil, vez por outra, não cairmos na tentação de empregarmos meios para “controlarmos o nosso tempo”, embora negar a duração ordinária da vida seja estreme ilusão, não é mesmo? 

Quanto a mim, faço questão de revelar a quantidade de anos que o Criador tem me concedido viver – meus alunos e amigos que o digam! Cada ano, acrescido à minha linha do tempo, representa dezenas de oportunidades, que tive, para evoluir, corrigir falhas, adquirir mais conhecimento, experiência e, paulatinamente, ir me preparando para a velhice.

Embora, de certa forma, pareça contradição, apesar de assumir a idade, confesso que costumo editar alguns dos meus registros fotográficos como, por exemplo, as fotos que utilizo no meu perfil, mas sem exageros, acredite! Afinal ninguém é perfeito e quem nunca tiver lançado mão de algum recurso, seja ele qual for, para ficar mais apresentável, que atire a primeira pedra. 

Hoje, em especial, na foto acima, sem qualquer tipo de edição ou retoque (com uns quilinhos extras, é bem verdade, devido a alguns meses de merecida licença especial e uma provisória interrupção da habitual atividade física a qual pretendo retomar brevemente), revelo-me ao natural, em perfeita sintonia com a natureza que tanto admiro e faço minha parte para preservar. Estou satisfeita comigo mesma aos 50 anos. Que maravilha!

Na infância, costumava idealizar como eu seria quando completasse meio século. Imaginava-me com uma aparência bem mais envelhecida. Felizmente, a natureza tem sido generosa comigo. E o melhor: meu espírito é bem mais jovem ainda. Em certos ambientes e determinadas ocasiões, procuro me policiar para não parecer ridícula – alvo certo para preconceituosos... O fato é que a convivência diária com crianças e jovens proporciona o aprendizado de gírias, certas expressões e letras de músicas direcionadas à “galera teen”. No trabalho, não raro, eu surpreendo meus alunos e colegas ao utilizá-las, natural e automaticamente. De uns anos para cá, estou me conscientizando de que terei de recorrer mais vezes ao bom senso e à ajuda do meu fiel espelho para não esquecer que já atravessei todas essas décadas e, então, comportar-me “de acordo com a idade”.

Nesta data especial, celebro a vida e agradeço a Deus por estar bem, ter saúde e disposição para honrar inúmeros compromissos e seguir, sempre em frente, amenizando e solucionando os problemas que surgem nesta trajetória terrestre. A todos os familiares e amigos minha gratidão por me fazerem companhia e contribuírem para que reconheça que sou feliz.

© Josselene Marques

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Ponte Milvio


Poema "Namorados" por Josselene Marques
 Poesia concreta
 (Neste caso, desintegração do sintagma em seus fonemas)


Ainda há pouco, no momento em que procurava uma imagem para ilustrar um poema, deparei-me com a foto de um casal de namorados em uma ponte na qual havia postes repletos de cadeados. Naturalmente, fiquei curiosa para saber sua procedência e seu significado.

Após uma rápida pesquisa, descobri que trata-se da Ponte Mílvia, sobre o Rio Tibre (em italiano: Ponte Molle ou Ponte Milvio, latim: Pons Milvius ou Pons Mulvius), ao norte de Roma, na Itália.

Segundo a Wikipédia, “a ponte foi construída pelo cônsul Caio Cláudio Nero, em 206 a.C., depois que o mesmo derrotou o exército cartaginês na Batalha do Metauro. Em 115 a.C., o cônsul Marco Emílio Escauro demoliu-a e construiu uma nova ponte, feita de pedra, no mesmo lugar. Em 312 d.C., o imperador romano Constantino derrotou seu rival mais poderoso, Magêncio, próximo a esta ponte, na célebre Batalha da Ponte Mílvia. Durante a Idade Média, a ponte foi renovada por um monge chamado Acúcio, e em 1429 o Papa Martinho V pediu a um famoso arquiteto, Francesco da Genazzano, que consertasse a ponte, à beira do colapso então. Durante os séculos XVIII e XIX, a ponte foi modificada por dois artistas, Giuseppe Valadier e Domenico Pigiani.”

Mas, e os cadeados?

Os cadeados na ponte representam uma das mais recentes tradições dos enamorados. Eles costumam prender um cadeado num dos postes de iluminação central da ponte e lançar sua chave no Tibre.

Acredita-se que a origem do hábito tenha sido a partir de um trecho do romance "Ho voglia di te" (Quero-te) do escritor italiano Frederico Moccia, publicado em 2006, no qual um casal apaixonado escreve seus nomes num cadeado para, em seguida, atá-lo em volta de um dos postes da Ponte Milvio. Feito isto, eles se beijam e jogam a chave nas águas do Tibre, como os imitam os jovens atualmente. Para eles, é uma forma de selar o amor e eternizá-lo.

No final do ano passado, por medida de segurança, as autoridades romanas decretaram a retirada do excesso de cadeados, pois seu peso poderá comprometer a estrutura “Ponte do amor”. 

Hoje, Dia Corpus Christi, aproveito este post para desejar um ótimo feriado para você!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Retorno à infância

Foto: arquivo pessoal da professora Maria da Conceição Silva
Montagem: Josselene Marques


Este ano a Semana Santa foi superespecial para mim. Depois de muitos anos, reencontrei alguém que me fez voltar à memória os meus seis anos de idade.

O momento exato do flashback foi um “30 de Setembro”. Todos os anos, nesse dia, declarado feriado municipal em homenagem à data da libertação dos escravos mossoroenses no ano de 1883, acontecem os tradicionais desfiles cívicos. Como de praxe, eu e mais algumas centenas de crianças fomos representar as nossas escolas. No local de concentração, enquanto esperávamos a nossa vez de desfilarmos, acabei me impacientando e resolvi passear pelas imediações – atitude da qual me arrependi poucos minutos depois.

A cidade estava bastante movimentada – lotada de turistas. Centenas de pessoas se deslocavam em várias direções à procura de um lugar melhor para assistirem ao desfile.

Após me distanciar apenas alguns metros, de repente, eu me vi cercada de estranhos, que caminhavam em grupos e com relativa pressa. Eu era pequenota e andava com certa dificuldade em meio àqueles adultos. Houve vezes que, por pouco, não fui “atropelada” por eles. Justamente por tentar esquivar-me e sair ilesa dessa multidão, afastei-me mais do que devia e perdi o ponto de referência. Na verdade, não conhecia bem aquele trecho da cidade. Conscientizei-me do tamanho da minha imprudência quando constatei que havia me perdido dos meus pares. De olhos arregalados, a ponto de chorar, segui em frente, mesmo sem saber qual seria o meu destino. Nesse momento de aflição, fiz o que é peculiar a toda pessoa que tem fé: pedi a ajuda de Deus e, como por milagre, surgiu na minha frente um rosto conhecido: o de Tia Ceição (Maria da Conceição Silva) – a professora das minhas irmãs. Corri ao seu encontro e pedi que me ajudasse a voltar para a concentração. Sorrindo, ela me disse para ficar calma e concordou em me conduzir para o local de onde jamais eu deveria ter saído sozinha. Enquanto nos dirigíamos para lá, ela perguntou quem havia me levado para o desfile. Eu respondi que fora o meu pai, pois minha mãe ficara em casa cuidando dos meus irmãos mais novos.

Enquanto isso, na concentração, as professoras já haviam dado por minha falta e avisado ao meu pai, que começou a me procurar pelas ruas adjacentes. Devido à ajuda do meu “anjo salvador”, não teve muita dificuldade para me encontrar. Foi a minha sorte, pois até que ele foi muito compreensivo comigo (fez apenas um pequeno sermão – a fim de que eu entendesse o risco que corri. Como resposta, asseverei a ele que isso jamais se repetiria. Por fim, a travessura foi relevada). Nosso encontro se deu, exatamente, na lateral de um prédio onde, atualmente, funciona o Banco do Brasil da Avenida Alberto Maranhão.

Minutos depois, após ser abraçada pelos colegas que se preocuparam comigo, desfilei com alegria redobrada: primeiro, por poder representar a minha escola e, segundo, por não ter entrado para a lista de crianças desaparecidas.

Rever a querida Tia Ceição – a quem serei eternamente grata – me fez relembrar esse episódio da infância e chegar a uma conclusão: Deus me ama e protege desde sempre – não me envergonho de professar a minha fé. De mais a mais, como nada acontece por acaso, com esse "susto", aprendi a prudenciar. Desde então, na medida do possível, tenho procurado evitar tudo que seja passível de erro, dor ou dano e, por isso mesmo, vivo em paz comigo e com as pessoas que me cercam.

domingo, 4 de março de 2012

Um jovem de futuro

A base de Joy


Ele tem um apelido bastante apropriado: Joy (substantivo inglês correspondente à alegria), pois, desde o seu nascimento até os dias atuais, só tem nos dado satisfação com o seu jeito de ser, pensar e agir.
Ainda na tenra idade, aos 10 anos, foi morar com a mãe, na Europa. Adolesceu por lá, aprendeu o idioma italiano e pagou o preço de viver longe de seu país por um período que, para nós, seus familiares, pareceu uma eternidade. Um belo dia, para nosso contentamento, ele retornou. Em dois anos, recuperou e ampliou o português, aprendido nas séries iniciais, concluiu o Ensino Fundamental e, em seguida, deu início ao Ensino Médio – concluído em tempo hábil. Prestou vestibular para Gestão Ambiental na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN. Foi aprovado na primeira tentativa. Desde então, a universidade tem sido a sua segunda casa, na qual ele passa o dia e parte da noite – houve, inclusive, ocasiões em que experimentou dormir nesse campo do saber. Tudo isso para dar conta da graduação e das tarefas como bolsista do PIBIC/CNPq (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Antes de ser contemplado com a bolsa do CNPq, atuou como coordenador de uma equipe do Programa de Capacitação de Professores: educação ambiental como práxis do saber – ProCEA, monitor de italiano no Núcleo de Línguas Estrangeiras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – NEEL/UERN, além de haver ministrado aulas de informática no Projeto Mais Educação.
Para o nosso espanto, amadureceu rápido – o que pode ser comprovado durante as palestras que profere em diferentes instituições públicas e privadas. Chegou até a ministrar capacitações para os seus ex-professores das escolas de primeiro e segundo graus de ensino. Vale salientar que ele tem apenas 21 anos e a habilidade necessária para conciliar tudo isso e, ainda, encontrar tempo para lazer e fazer o que é inerente a um jovem de sua idade.
Neste último final de semana, nós todos testemunhamos o resultado de tanta dedicação, tanto empenho, tanta disposição. Este jovem acaba de ser aprovado para fazer a Graduação Sanduíche do Programa Ciência Sem Fronteiras do Governo Federal do Brasil. No segundo semestre, deste ano, ele retornará à Itália na condição de pesquisador bolsista brasileiro, podendo permanecer nesse país por cerca de um ano.
Joy é um exemplo concreto do que eu falo, diariamente, para os meus alunos: o estudo abre mentes, fronteiras, portas e transforma a vida para melhor.


Alguns momentos importantes da vida de Joy




Ao meu adorado sobrinho, só me resta agradecer por tantas alegrias, continuar a orientá-lo, sempre que precisar, e torcer muito para que ele continue crescendo e possa, num futuro próximo, contribuir de forma significativa para o progresso deste país que está investindo nele.
Que Deus o abençoe e proteja sempre!

Copyright © Josselene Marques


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Não tenha pressa! Não precisa correr...

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Nesta primeira segunda-feira do mês corrente, retornei ao trabalho com entusiasmo e minha peculiar disposição. Depois de uma manhã bastante produtiva, no intervalo para o almoço, rumei para o Centro da cidade. Lá chegando, honrei alguns compromissos. Em seguida, consultei o relógio e verifiquei que me restara apenas uma hora para a principal refeição do dia e um banho reparador, pois a agenda da tarde também estava lotada.

Em tempo recorde, consegui passar em casa e me reabastecer. Mesmo motorizada, o tempo reduzido e o Sol causticante me faziam andar em um ritmo acelerado, toda vez que estacionava o automóvel e tinha que fazer algum percurso a pé – nessas ocasiões, a elegância passa longe! Que meu príncipe não me veja!

Foi exatamente em uma dessas caminhadas, quando saía de uma agência, que notei a aproximação de um senhor idoso que me encarou com um olhar de reprovação. Ele andava com o corpo curvado – provavelmente em consequência de algum problema sério em sua coluna vertebral.

Na velocidade em que eu vinha, por pouco não esbarrei nele. Então, com a autoridade e a segurança que sua idade e experiência lhe conferem, ele me falou: “Não tenha pressa! Não precisa correr..."

Surpresa, eu parei, olhei-o com atenção e respeito, mas não respondi com palavras. Contudo, pela minha expressão, ele entendeu que eu havia tomado o seu conselho ou, no mínimo, iria refletir sobre ele. Nos segundos seguintes, sem se despedir, ele continuou a sua caminhada, em seu ritmo desacelerado, sob o Sol, levando consigo a sabedoria adquirida em sua longa existência.

Entrei novamente no carro. Com movimentos exageradamente lentos e um sorriso, dei partida no motor. Com alguns minutos de atraso, mas, agora, com calma, sem pressa, cheguei ao meu próximo destino. O mais interessante é que o “meu tempo” se moldou ao contexto, pois tive até que esperar um pouco para ser atendida – as outras pessoas também, vez por outra e coincidentemente, podem se atrasar, concluí. Assim, sem problemas, realizei o que havia planejado para aquela tarde.

Retornei ao meu lar com uma tremenda sensação de paz – um aprazimento que me fez sentir leve por estar em dia com as minhas responsabilidades.

Ao adotar essa postura, acabei neutralizando o estresse que põe em risco a minha saúde/vida.

Quanto ao meu conselheiro, mesmo sabendo que nossos caminhos eram por direções opostas, lamentei não ter tomado a iniciativa de lhe oferecer, pelo menos, uma carona. Não mais o vi, desde então.

Quanto a mim, desde aquele dia, sempre que, impulsivamente, acelero o meu ritmo, automaticamente, recordo-me do conselho do sábio senhor; então, “engreno uma marcha de tração” e reduzo.


Copyright © Josselene Marques
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Um exemplo de fé

Seu Antonio no Dia da Padroeira do Brasil
Foto: Josselene Marques




No início desta tarde, em pleno feriado da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, o ruído do motor de um caminhão, estacionando em frente à minha casa, chamou-me a atenção. Fui certificar-me se, realmente, tratava-se de uma esperada encomenda, que chegaria por intermédio de uma transportadora. Eu estava certa. O pedido chegara. Até aqui, nada de extraordinário, não é mesmo?


Para mim, seria apenas mais um simples recebimento de produtos, se não fosse por um detalhe: enquanto realizava o seu trabalho, o senhor Antonio, um caminhoneiro sulista, contou-me como perdera a sua mãe. Há poucos meses, quando ele estava completando mais uma rota, sua esposa lhe telefonou pedindo que retornasse, o mais breve possível, pois sua genitora queria vê-lo. Então, como um bom filho, apressou-se em atendê-la. No menor espaço de tempo possível, fez o percurso que o levou ao local onde ela residia. Lá chegando, após procurar por Dona Olga em seu quarto e não mais encontrá-la, foi informado, por seus cuidadores, de seu falecimento. Logo em seguida, foi levado até a sua presença. Segundo ele, ela estava serena e parecia dormir. Precisou fazer um esforço mental para acreditar na sua morte.


Fez uma retrospectiva... Sem dúvida, a missão terrena dessa senhora não fora fácil. Passara por muitas provações e trabalhara duro, por muito tempo, como cozinheira. Apesar das dificuldades, vivia de bem com a vida, pois sua fé era inabalável - uma de suas características marcantes. Tinha o hábito de fazer orações várias vezes por dia. Além de crer em Deus, também venerava vários santos católicos e possuía uma considerável coleção de imagens. Em suas conversas com o Altíssimo, costumava interceder por seus descendentes e pela humanidade como um todo.


Cheguei a emocionar-me quando o seu filho me falou sobre os últimos minutos dela. No dia de sua partida, ela amanhecera perguntando e chamando, com bastante insistência, por seus pais, já falecidos há muitos anos. Em resposta aos seus questionamentos e pertinazes chamados, um jovem – um dos responsáveis por ela – disse: “Nossa Senhora Aparecida veio buscar a senhora.” Nem ele, quando interpelado, soube explicar o porquê de haver pronunciado tal frase. Esta, inexplicavelmente, saiu de seus lábios, sem que ele a formulasse... E, agora, você consegue imaginar qual a reação de Dona Olga? Foi singular: ela simplesmente uniu as mãos, entrelaçando os dedos, e colocou-as sobre o abdome. Em seguida, fechou os olhos e, sem dizer uma palavra, partiu, aos 101 anos. Lamentavelmente, seu filho não chegou a tempo de despedir-se. Para os médicos, ela teve um infarto fulminante.


Neste dia especial para os católicos, Seu Antonio não me deixou apenas mais uma encomenda. Juntamente com ela, ele trouxe um exemplo de fé: tal qual Maria, quando visitada pelo Anjo, Dona Olga não vacilou. De forma imediata e sem questionar, aceitou o chamado e foi juntar-se a seres mais evoluídos em uma das moradas do nosso Pai. Que Deus a tenha!


Para saber sobre a história dessa devoção, recomendo que acesse um excelente blog: o Fé e Vida .



domingo, 25 de setembro de 2011

Saudosa capela


Capela de Santa Teresina
Foto: Walter Leite

SAUDOSA CAPELA
Copyright 2011© Josselene Marques

Manhã ensolarada. Temperatura em elevação. Pássaros inquietos à procura de abrigo. Em meio ao burburinho urbano, seguia para mais um dia de trabalho. De repente, eu me vi obrigada a enveredar por um desvio, devido a uma obra pública de saneamento básico no Centro da cidade. A princípio, fiquei aborrecida com o transtorno que havia me tirado do costumeiro percurso e poderia resultar em um pequeno atraso em virtude do congestionamento.

Enquanto vencia os metros extras, fui me aproximando de uma capela – o que alterou, mais uma vez, o meu estado de humor. A saudade tomou conta de mim. Observei que a Capela de Santa Teresinha estava aberta àquela hora da manhã – algo inusitado durante o meio da semana, salvo nas raras exceções em que são celebradas missas de corpo presente.

Embora breve, o vislumbrar de seu interior me fez lembrar a infância. Naquela fase da minha vida, aos domingos, costumava assistir à missa naquele lugar aconchegante, na companhia de minha avó materna. Como eu gostava! Retornava ao lar com a alma leve – “peso” bem proporcional ao do meu corpo franzino de menina. Apesar da seriedade do ato litúrgico, eu o achava até divertido, pois os sermões de Dom Gentil eram bem originais. Sempre bem-humorado, ele muitas vezes nos surpreendia com piadas que usava para nos mostrar a importância de se aprender e adotar os valores morais e éticos.

Distraída pelas recordações, perdi a noção do tempo transcorrido e da distância percorrida. Como previra, atrasei-me alguns minutos, mas ganhei o dia pela oportunidade que tive de relembrar/reviver esse período tão bom em que quase tudo era mais simples, barato e tranquilo. Ao me aproximar do meu destino, automaticamente, devolvi essas memórias ao seu devido lugar de armazenamento e fui cumprir mais um expediente da minha missão de educar, compartilhar saberes e, juntamente com meus queridos alunos, seguir construindo o conhecimento.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Feriado nacional

Independência ou Morte!, de Pedro Américo


(óleo sobre tela, 1888).
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Feriado nacional em comemoração à Independência do Brasil. “Horas livres”, sem agenda a cumprir, dei-me ao luxo de acordar um pouco mais tarde e assistir a algumas partes do desfile cívico pela TV.


Ao ver todos aqueles símbolos representativos da nossa identidade de país independente, bateu-me uma saudade enorme do meu tempo de estudante. Não perdia um desfile! Era um prazer e um privilégio vestir o meu uniforme escolar para celebrar esta data tão importante para qualquer país. Ainda hoje, confesso que, ao escutar a batida de uma fanfarra, sinto vontade de segui-la, marchando conforme sua cadência.



Apesar de todos os entraves, como a violência, a corrupção, a má distribuição de renda, o desrespeito às leis – inclusive por alguns governantes –, o nosso país segue sempre em frente. Principalmente nos últimos anos, o que tem de positivo vem sendo reconhecido pelas demais nações, atraindo mais investimentos estrangeiros, e isto resulta em progresso.



O amor pela pátria não prejudica a minha visão – tenho plena consciência da realidade do Brasil. Contudo, o meu sentimento de patriota é inabalável, pois tenho orgulho de ser brasileira!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Qual é o sentido da vida?

Carla Bruni e Owen Wilson em cena de "Meia-noite em Paris"
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QUAL É O SENTIDO DA VIDA?
Copyright 2011 © Josselene Marques

Ontem, caminhando pelo Centro de Mossoró, reencontrei um dos meus queridos mestres. Após dar-me um bom-dia sonoro e caloroso, de supetão, ele me pediu que respondesse a uma pergunta, rapidamente e sem pensar. A questão era a seguinte: “Qual é o sentido da vida? ”

Conforme me foi solicitado, imediatamente, respondi: “Viver”. Em princípio, apesar de lógica, uma resposta lacônica e nada original. Na verdade, o que eu quis dizer com “viver”?

Os anos de experiência me ensinaram que viver é tentar encontrar o equilíbrio entre desejos, crenças, paixões, regras, possibilidades e as condições reais – base para as escolhas, de forma a conviver harmonicamente em meio à coletividade. Sobretudo, viver é estar em sintonia com o transcendental e a ordem do cosmo. É, também, ter fé nesse ser superior capaz de justificar e amenizar os sacrifícios e dissabores terrenos, pelos quais costumamos passar. É ter esperança de contornar/vencer a maior parte dos obstáculos para libertar a felicidade que vive reclusa dentro de nós, muitas vezes acuada e bombardeada pelos entraves, pelas frustrações do cotidiano, pela falta de disposição/iniciativa e pelo medo. Viver não é só amar, pois, mesmo sendo essencial, o amor não é tudo. Viver também não é só acumular bens materiais ou desfrutar deles, pois quem faz essa opção, geralmente, leva uma vida vazia – embora confortável, cheia de prazeres e privilégios.

Seguramente, o sentido da vida não está nos valores transitórios – é pura ilusão acreditarmos nisso. Viver é, ainda, conscientizarmo-nos de que estamos neste planeta para servir (e não para sermos explorados), compartilhar os nossos dons em reciprocidade.

Sinceramente, não sei o que o sábio professor achou da minha resposta. Como ambos tínhamos pressa, não havia mais tempo para continuarmos o nosso colóquio; então, despedimo-nos.


À medida que fazia o percurso de volta para casa, constatei que, ao fazer essa indagação, ele me deu a chance de repensar minhas escolhas, ações e, de fato, ter bem claro, em minha mente, qual é o sentido da vida, a esta altura da minha existência. Obrigada, mestre, por esta oportunidade.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ofensas veladas

Imagem: Picasa



Em uma repartição pública, no início desta semana, enquanto aguardava atendimento, comecei a observar, discretamente, duas jovens sentadas ao meu lado. Elas me chamaram a atenção porque falavam muito alto, à medida que passavam as páginas de um álbum de fotografias.


Pelo que pude entender, o álbum pertencia a uma delas. Era um book. A “amiga”, a cada foto que lhe era mostrada, tecia alguns comentários fúteis. A certa altura, quando ela viu a “modelo” em trajes mínimos, disse: “Menina, como você é fotogênica!”


A reação da moça foi uma expressão de interrogação, como se estivesse procurando entender o sentido da frase e, ao mesmo tempo, formulando uma resposta para o “encômio”.


Foi a partir daí que comecei a refletir sobre as ofensas veladas – muitas vezes, até inconscientes – das quais somos ou fazemos vítimas em nosso dia a dia.


Se analisarmos, por exemplo, o caso da fotogenia, concluiremos que, quando usamos o adjetivo correspondente para nos referirmos a alguém, na verdade, estamos, de certa forma, ofendendo a pessoa. É como se disséssemos: “Olha, você não é tão bonito (a) quanto parece nesta foto. E o pior é que, toda vez que recebemos um “elogio”, dessa natureza, a boa educação obriga-nos a, hipocritamente – ou ingenuamente –, agradecê-lo.


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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Será mesmo o fim dos tempos?

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Hoje, mais do que nunca, recordei o meu tempo de estudante...

Aos seis anos, ia sozinha para a escola. Aos dez, “protegia” os meus irmãos mais novos ao fazermos o mesmo percurso. Os riscos eram praticamente nulos, embora as recomendações dos nossos pais fossem muitas. Naquele tempo, podíamos andar pelas ruas e estudar, tranquilamente, com a certeza de que jamais alguém nos importunaria ou ameaçaria. Tempo bom. Quanta saudade eu sinto agora.

Neste sete de abril, percebo, claramente, quantas mudanças ocorreram, no modo de vivermos, ao longo desses anos vencidos...

Já não temos segurança ao andar pelas ruas. As escolas, de repente, podem ser alvos de ataques de vândalos ou de chacinas. A que ponto nós chegamos! Como estamos vulneráveis! Não há mais lugar seguro - nem nos lares estamos a salvo! As diversas formas de violência imperam em casa, nas ruas, nas escolas e nos ambientes de trabalho. O egoísmo, a ganância e a hipocrisia se alastram. Alguns corações parecem feitos de pedras. Fraternidade, solidariedade, honestidade e respeito são “artigos de luxo”. Os conceitos de certo e errado são ignorados ou desprezados por um expressivo número de pessoas. A situação é tão absurda e grave que, quando alguém faz a coisa certa, quase sempre, vira manchete nos meios de comunicação e/ou é criticado pela maioria, que o considera tolo. Em consequência, este estado de coisas produz, diariamente, milhares de mentes insanas que ameaçam a vida nesta esfera.

Nesta data, com tristeza, vi o Brasil transformar-se em notícia pelo mundo afora. Não pela arte de seu futebol, grandiosidade de seu Carnaval ou variedade de sua música, mas por uma tragédia, uma violência terrível contra crianças que estavam em salas de aula construindo a base para o seu futuro. É lamentável e inaceitável a forma como esse jovem atirador de Realengo (bairro carioca), emocionalmente desequilibrado, pôs fim a mais de dez vidas e dezenas de sonhos.

Penso comigo: será mesmo o fim dos tempos? Começo a acreditar que sim. Enquanto estava, aqui, refletindo a busca de justificativas para a frequente vitória do mal sobre o bem, de súbito, veio-me à lembrança uma frase do sábio Gilgamesh*: “Não há mais tempo para mesquinhez em um mundo agonizante.” Precisamos direcionar nossas ações de modo a convertê-las em algo positivo e restaurador – por menor que seja e de acordo com as nossas possibilidades. A passividade só aumenta a nossa vulnerabilidade. Que tal, pelo menos, tentarmos transformar esse final dos tempos em um período menos danoso, menos angustiante e, portanto, mais fácil de suportar? Para que esse ideal se concretize, as mudanças devem começar pelo interior de cada um de nós.


* http://tiemposllegados.blogspot.com/


* Gilgamesh é o administrador do recém-criado blog Tiempo Final no qual você vai encontrar informações sobre temas interessantes e surpreendentes relacionados a final dos tempos, revelações, religião, misticismo, esoterismo, ufos, entre outros.


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terça-feira, 29 de março de 2011

José Alencar parte para repouso eterno

José Alencar: aquele que não desistia nunca... Imagem do Google


Pesa-me dar notícia do falecimento, nesta terça-feira (29/03), às 14h41min, no Hospital Sírio-Libanês, do empresário e político brasileiro José Alencar Gomes da Silva.



De acordo com o boletim médico, a causa da morte foi falência de múltiplos órgãos em consequência de um câncer.


O ex-vice-presidente terá seu corpo velado no Salão Nobre do Planalto, em Brasília-DF.


O corpo de Alencar será transportado num avião da Força Aérea Brasileira (FAB), de São Paulo para Brasília, e tem chegada prevista para as 9h25min desta quarta-feira. Irão recebê-lo, com honras militares, o presidente em exercício Michel Temer e os presidentes do Senado, José Sarney, da Câmara, Marcos Maia, e do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso. Em viagem a Portugal, a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula estarão de volta à Brasília no início da noite. Entretanto, já a partir de 10h30min, o palácio estará aberto à visitação pública. O corpo do ilustre mineiro ficará exposto no Planalto até a manhã de quinta-feira, quando será trasladado para Belo Horizonte - MG.


No decorrer das duas últimas décadas, este homem, apaixonado pela vida e pela política, respeitado e admirado por sua franqueza, retidão e honestidade de opiniões, submeteu-se a mais de uma dezena de cirurgias, mas sempre demonstrou otimismo após cada uma delas.


Considerado um dos maiores empresários do ramo têxtil do estado de Minas Gerais, elegeu-se vice-presidente da República do Brasil na chapa do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Conseguindo a reeleição em 2006, permaneceu no cargo até o final de 2010.


José Alencar parte para repouso eterno, contudo será lembrado, especialmente, por uma característica comum a todo bom brasileiro: aquele que não desistia nunca. Somente a morte poderia ser páreo para sua tamanha vontade de viver. Infelizmente, hoje, ela venceu. Que descanse em paz!


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terça-feira, 15 de março de 2011

Japão: poesia no infortúnio

Japão: castigado pelas forças da natureza.
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No Brasil, ontem, foi comemorado o Dia Nacional da Poesia. A princípio, pensei em presentear meus preciosos leitores com um poema de amor ou uma produção que descrevesse uma linda paisagem sob conceito particular. Infelizmente não consegui redigir nenhum deles porque, nesses últimos dias, minha mente tem sido ocupada pelas imagens da tragédia provocada, no Japão, pela força arrasadora da dinâmica do interior da Terra.

Convenhamos que é impossível permanecermos insensíveis diante de algo tão devastador, que nos dá a dimensão do quanto somos frágeis quando atingidos por essas manifestações da natureza.

Para compor o meu texto, eu buscava a terminologia do meu cotidiano (alegria, amor, beleza, paz, tranquilidade, leveza, encanto, mar calmo de águas límpidas, céu de nuvens brancas, noite enluarada...), mas, em seu lugar, saltavam, numa dança frenética, palavras e expressões tais como alerta máximo, tragédia, sismologia, escala Richter, epicentro, ondas elásticas, terremoto, maremoto, Tsunami, eixo da Terra, amplitude, invasão, magnitude, vazamento nuclear, escuridão, chuva ácida, reatores, plutônio, superaquecimento, urano na atmosfera, entre outras com as quais, dificilmente, eu seria capaz de fazer combinações para atingir o meu objetivo.

De repente, bateu-me uma angústia e iniciei um solilóquio na esperança de que Deus me escutasse. Foi então que percebi, arrastando-se bravamente em meio a esse turbilhão, um grupo de palavras que me aliviaram a alma. Quase irreconhecíveis, visualizei as sobreviventes: esperança, fé, firmeza, coragem, solidariedade, luz, confiança, reconstrução e recomeço.

Assim, de ânimo renovado, estou aqui a escrever estas linhas como forma de demonstrar ao povo japonês que ele não está só, que há pessoas se importando com o seu drama e torcendo para que esse momento de crise seja superado no menor espaço de tempo.

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ser admirável

Senhora enxugando as lágrimas
Foto: Getty Images

Hoje, o meu final de tarde foi em um velório. Lamentavelmente, a irmã de uma pessoa querida, do nosso círculo familiar, esgotou o seu tempo entre nós. Entretanto, foi exatamente nessa hora triste que tive o prazer de conhecer um ser admirável. De minha parte, a empatia foi instantânea e a simpatia recíproca.

Refiro-me à mãe da falecida – uma simpática senhora de 85 anos – que, do alto de sua experiência e sabedoria e com um surpreendente autocontrole, recebia a todos os visitantes com esmerada educação, dominando, bravamente, o pesar imposto pela perda. Confesso que fiquei deveras impressionada com a sua postura diante da fatalidade.

Logo que concluí uma oração particular pela alma de sua filha, a amável senhora pediu que me sentasse ao seu lado. Conversamos pouco. Procurei falar o mínimo, pois nessas horas as palavras soam sem sentido e não há nada que se diga que tenha o poder de confortar a contento. Na verdade, o que se quer é o ente - que está sendo arrancado de nosso convívio - de volta e esse desejo nenhum ser humano é capaz de realizar.

Em determinado momento, como se pensasse em voz alta, ela disse: “Hoje, nós estamos vivendo essa ilusão... E amanhã?”

Enquanto ela pronunciava a frase, tinha o olhar fixo na filha morta. Era visível a dor em seus olhos. Sua consciência não lhe permitia fugir da cruel realidade: no dia seguinte, aquela presença – ainda que sem vida – não seria mais possível.

Quando nos despedimos, ela me fez um convite para retornar à sua casa. Confesso que me senti privilegiada por, mesmo em um dia lutuoso, ver germinar, espontaneamente, a semente da amizade.

De volta para casa, vinha refletindo: qual a melhor forma de encarar a morte de um familiar ou de um amigo?

Se partirmos do princípio que, embora sem data predeterminada, ela é algo natural e certo para cada um de nós, ficará mais fácil a sua aceitação. Podemos, ainda, tentar amenizar o nosso próprio sofrimento ao lembrarmos que o da pessoa – que se foi – também teve um fim, junto com ela. Por conseguinte, não nos resta alternativa mais edificante que prosseguir e manter viva a saudosa lembrança de quem partiu de forma definitiva.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011!!!

Selinho comemorativo dos 50.000 acessos
Criação e montagem: Josselene Marques
Foto: Google

Em função do fuso horário, alguns países já comemoram a entrada do novo ano. Aqui, no Brasil, teremos de esperar mais algumas horas.

Enquanto aguardo, ponho-me a refletir sobre o que representa essa divisão do tempo tão sabiamente convencionada pelo homem.

Vejo a entrada/passagem de cada ano como uma chance de recomeço. Percebo que, na maioria dos casos, é possível sepultar os dissabores - junto com o ano que finda - nesse passado recente.

Estas últimas horas também podem ser aproveitadas para perdoarmos a quem nos ofendeu ou prejudicou voluntária ou involuntariamente – isso não importa e é só um detalhe. Precisamos zerar tudo que possa nos impedir de recomeçar. Além do mais, quando perdoamos, estamos dando ao ofensor o direito de ser feliz e – quem sabe – reabilitar-se. Isso, certamente, fará bem não só a ele, mas também a nós mesmos. Consciência e coração leves – já pensou que maravilha?!

Da mesma forma, traçar metas viáveis é oportuno. Se não sabemos o que queremos ou aonde estamos indo, tomaremos caminhos que apenas nos farão desperdiçar o precioso e efêmero tempo de nossa vida.

Aproveito a oportunidade para agradecer pela sua companhia, caro (a) leitor (a), neste ano de 2010, e espero contar com a mesma em 2011. Você contribuiu, decisivamente, para que eu tivesse mais um motivo para comemorar neste finalzinho de ano: este blog já ultrapassa os 50.000 acessos. Muito obrigada a todos que me honraram e honram com suas visitas.

Um Ano Novo repleto de bênçãos para você! Fraternal Abraço!

sábado, 11 de dezembro de 2010

PASSATEMPO® : sabor da infância

Biscoitos PASSATEMPO, da Nestlé
Foto: Josselene Marques

No início desta semana, enfim e por acaso, recuperei um dos sabores da minha infância. Há anos buscava os meus biscoitos prediletos: Brasília, pois, com o passar do tempo, creio que eles saíram de linha ou a fábrica fechou – não sei ao certo. No entanto, eu jamais esqueci aqueles deliciosos biscoitos ao leite que se desmanchavam em minha boca. Recordo-me de que sempre os levava na lancheira, quando frequentava a escola infantil. A embalagem era retangular e azul e o pacotinho continha nove unidades.

Durante uma visita a um supermercado, resolvi comprar um biscoito bastante popular entre as crianças, mas jamais experimentado por mim: o PASSATEMPO®, da Nestlé. De fato, ele faz jus ao nome. Quando eu dei a primeira mordida, qual não foi a minha surpresa: o tempo passou, rapidamente, e eu me vi sentada à mesa, na hora do recreio, em minha primeira sala de aula, na companhia de três outras crianças. Uma delas me lançava um olhar expressivo no qual eu decifrava um pedido. A situação econômica daquela menina não permitia que ela levasse o próprio lanche. Então, era rotineiro compartilharmos o meu. Confesso que sempre ficava com “gosto de quero mais”. Todavia, não podia desperdiçar a oportunidade de domar o meu egoísmo. No fundo, eu me sentia bem por, humildemente, poder ajudar aquela criança um pouco mais pobre do que eu.

Não fosse pelo recheio de chocolate, diria que os sabores de ambos os biscoitos são idênticos.

Enquanto me deliciava, degustando-os, fiquei a refletir: o interessante é que, desta vez, não precisei dividi-los, mas, igualmente ao passado, eu não consumi todo o pacote... Por quê? Porque, na minha idade, a moderação se faz necessária para garantir uma velhice saudável.

Copyright 2010 © Josselene Marques
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