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domingo, 1 de março de 2015

NOSSO GRANDE THIAGUINHO



NOSSO GRANDE THIAGUINHO
©Josselene Marques

Thiaguinho é apenas uma forma carinhosa de demonstrar o amor e a admiração que sentimos por este grande ser humano que Deus destinou à nossa família.
Desde a infância tem sido um estudante exemplar e autônomo na realização das tarefas escolares. Consequentemente, tornou-se comum vermos seus esforços serem reconhecidos e laureados com notas excelentes. Jamais foi necessário mandá-lo estudar. Ele sempre teve foco, responsabilidade, determinação e disposição. Sob vários aspectos e circunstâncias, superação tem sido a sua marca. Para este adorável e inteligente jovem, não há domingos e feriados, se necessário for priorizar o estudo – afinal ele sabe que é a chave para um futuro melhor. Contudo, lazer, amizade e amor não foram excluídos de sua vida. Muito pelo contrário! Estamos falando de um exímio dançarino, com círculo de amizades numeroso, e um rapaz permanentemente apaixonado. Como podemos deduzir, ele sabe conciliar, sabe viver. Simpático, educado, gentil, terno e amoroso. Este é o nosso grande Thiaguinho. É enorme não apenas na estatura, mas também em suas ações e em seu coração.
Na última quarta-feira (25/02/2015), fruímos do privilégio e da alegria de vê-lo concluir, de fato, o seu curso de Engenharia de Produção na Universidade Federal Rural do Semi-Árido – UFERSA. Não temos dúvida de que será um excelente profissional. Com alegria e orgulho, enviamos os nossos parabéns e votos de sucesso ao nosso engenheiro.
Que Deus o abençoe, meu amado sobrinho-afilhado!

Que venham mais recompensas!!!! 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

UM JOVEM DE FUTURO




UM JOVEM DE FUTURO
©Josselene Marques 

Ele tem um apelido bastante apropriado: Joy (substantivo inglês que se traduz por “alegria”), pois, desde o seu nascimento até os dias atuais, só nos tem dado satisfação com o seu jeito de ser, pensar e agir. Ainda na tenra idade, aos 10 anos, foi morar na Europa, na companhia da mãe. Adolesceu por lá, aprendeu o idioma italiano e pagou o preço de viver longe de seu país por um período que, para nós, seus demais familiares, pareceu uma eternidade. Um belo dia, para nosso contentamento, ele retornou. Em dois anos, recuperou e ampliou o português, aprendido nas séries iniciais, concluiu o Ensino Fundamental e, em seguida, deu início ao Ensino Médio – concluído em tempo hábil. Prestou vestibular para Gestão Ambiental na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN. Foi aprovado na primeira tentativa. Desde então, a universidade tem sido a sua segunda casa, na qual, por vários meses, ele passou o dia e parte da noite – houve, inclusive, ocasiões em que experimentou dormir nesse campo do saber. Tudo isso para dar conta da graduação e das tarefas como bolsista do PIBIC/CNPq (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Antes de ser contemplado com a bolsa do CNPq, atuou como coordenador de uma equipe do Programa de Capacitação de Professores: educação ambiental como práxis do saber – ProCEA, monitor de italiano no Núcleo de Línguas Estrangeiras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – NEEL/UERN, além de haver ministrado aulas de informática no Projeto Mais Educação. Para o nosso espanto, amadureceu rápido – o que pode ser comprovado durante as palestras que profere em diferentes instituições públicas e privadas. Chegou até a ministrar capacitações para os seus ex-professores das escolas de primeiro e segundo graus de ensino. Vale salientar que ele tem apenas 24 anos e a habilidade necessária para conciliar tudo isso e, ainda, encontrar tempo para o lazer e realizar o que é inerente a um jovem de sua idade. O resultado de tanta dedicação, tanto empenho, tanta disposição foi ser aprovado para fazer a Graduação Sanduíche do Programa Ciência Sem Fronteiras do Governo Federal do Brasil. No segundo semestre de 2012, ele retornou à Itália, na condição de pesquisador bolsista brasileiro, onde permaneceu por cerca de um ano. De volta ao Brasil, retomou seu curso na UERN, conciliando-o com uma oportunidade de trabalho na sua área de estudo, monitoria e aulas particulares de italiano. Recentemente, mesmo pesquisando e escrevendo sua monografia, ainda encontrou tempo e disposição para participar de uma seleção para mestrado na UFERSA. Imaginem o resultado: aprovado! Na manhã do dia 04/02/2015, tivemos o privilégio de assistir à apresentação/defesa de sua monografia – último pré-requisito para obtenção do grau de bacharel em Gestão Ambiental. A nota para a sua pesquisa e apresentação: um dez – com louvor! Hoje, 09/02/2015, deixou de ser graduando, ao ser graduado no curso que escolheu - um importante passo/avanço em sua jornada. Entretanto, este jovem não se acomodou e já tem um novo desafio a enfrentar (inclusive, não terá sequer tempo para um merecido descanso), pois sua orientadora de mestrado já o espera na Universidade Federal Rural do Semi-árido. Joy é um exemplo concreto do que eu falo diariamente para os meus alunos: o estudo abre mentes, fronteiras, portas e transforma a vida para melhor. Ao meu adorado sobrinho, só me resta agradecer por tantas alegrias, continuar a orientá-lo, apoiá-lo, sempre que precisar, e torcer muito para que ele continue crescendo e possa, num futuro próximo, contribuir de forma significativa para o progresso deste país.
Que Deus o abençoe e proteja sempre!

sábado, 18 de outubro de 2014

DIA DO PROFESSOR - HOMENAGENS

A manhã de hoje, no CEJA Professor Alfredo Simonetti, foi muito alegre e me reservou boas surpresas. Além do privilégio de comemorar, mais uma vez, o Dia do professor junto aos meus colegas/amigos (os gestores e as professoras responsáveis pelo apoio pedagógico e habilidosas colaboradoras nos prepararam uma linda festa), ainda recebi uma homenagem extra da amiga/colega profª Elizabeth Ferreira e, para meu aprazimento, o texto-mensagem escolhido (As vantagens de ser professor) e dedicado aos professores presentes era de minha autoria. Só me resta agradecer o reconhecimento e as homenagens e seguir realizando o meu trabalho da melhor forma possível. Confesso que estou me sentindo realizada.

Professoras do CEJA-Mossoró

Professores do CEJA-Mossoró

Supervisora Rilzonete Batista me fez uma surpresa ao escolher um texto
 de minha autoria para homenagear a todos os professores.

A amiga/colega profª Elizabeth Ferreira me fez uma bela homenagem.

Professores Sandra Pinto e Ubirajara Gurgel são os gestores do CEJA

A supervisora do turno matutino, Benomia Rebouças, gentilmente, ofertou-me uma flor.

Momento de oração e agradecimento pela vida
 e pelos dons/talentos concedidos por Deus.

Minhas amigas/colegas de trabalho Socorro Rebouças,
Elizabeth Ferreira e Lúcia Câmara.

domingo, 3 de agosto de 2014

AGRADECIMENTO

Muitos têm me perguntado o motivo do meu sorriso permanente, da generosidade do tempo para comigo e tenho lhes respondido que não há segredo algum. Tenho problemas, preocupações e aborrecimentos como qualquer mortal. Apenas procuro viver em harmonia com todos que me rodeiam. Quando isto não é possível, simplesmente, relevo as manifestações de inveja, egoísmo e ingratidão dos seres evolutivamente mais atrasados, não aceitando suas provocações; enfim, afasto-me do que não me faz bem e não me deixo contaminar pelo mal. Assim, mantenho o equilíbrio e a paz que transmito. Além de tudo, amo a minha família, o meu trabalho e os meus amigos verdadeiros – a estes, inclusive, quero agradecer pelas manifestações de carinho, consideração, amizade e amor, através dos comentários generosos publicados no meu perfil do Facebook, dos telefonemas, das visitas e dos presentes recebidos, das flores e dos bombons enviados. Gente, neste aniversário, até um poema eu ganhei – imaginem! Espero comemorar muitos outros, com saúde, como tantos de vocês me desejaram e continuar praticando o bem juntamente com o meu “exército”, como bem disse a minha amiga poetisa Ângela Rodrigues Gurgel. Muito obrigada a todos vocês, meus queridos familiares, amigos, colegas, alunos e ex-alunos por haverem reservado um pouco do seu corrido tempo para me parabenizarem das mais diferentes formas.
Por gentileza, clique na imagem para ampliá-la.

sábado, 10 de agosto de 2013

Pai ideal e real

©Josselene Marques
 

 

Até pouco mais de dois meses atrás, eu não tinha em mente um modelo ideal de pai. Atribuo isto ao fato de haver sido ensinada a aceitar as pessoas como elas são; também porque não cabe aos filhos a escolha de seus genitores e ainda por não ter nenhum parâmetro. No entanto, após viver um drama familiar, com a inesperada e grave enfermidade do meu amado sobrinho e afilhado Lucas Emanuel, passei a ter um referencial de pai ideal: um pai quase mãe, capaz de passar dias e noites acordado, alerta ao lado de seu filho, cuidando, velando o seu sono, diligindo, lutando por ele. Um pai que conseguiu desligar-se de tudo (compromissos e afazeres de um homem dinâmico), inclusive solicitando afastamento do trabalho (algo tão importante e necessário em sua vida), priorizando, assim, a assistência ao bem maior que Deus lhe confiou: o seu filho.
Hoje, relembrando alguns momentos de aflição e já desfrutando o sabor da vitória, fruto da fé, da oração e do zelo de um verdadeiro pai por seu filho, eu quero prestar minha homenagem ao meu irmão Joscelito, meu modelo de pai, ideal e real, alguém de quem só temos motivos para nos orgulhar.
Feliz Dia dos Pais para você e todos os pais que jamais deixaram de honrar o seu compromisso para com os seus filhos.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Um jovem de potencial

Da esquerda para a direita: Joilson Filho no dia de sua partida
Para a Itália (Aeroporto Augusto Severo); na Embaixada do Brasil
em Roma; com embaixador do Brasil (José Viegas Filho);
divulgando alguns projetos da UERN; e, as duas últimas,
no laboratório no qual estagia.


Da esquerda para a direita, as duas primeiras, aula de campo;
palestra para crianças, público-alvo de seu projeto; alguns momentos de lazer.




Um jovem de potencial

©Josselene Marques

 

Theodore Roosevelt, certa vez, afirmou que “é muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota” e, lamentavelmente, desperdiçam sua existência a invejar e criticar os intrépidos que conseguem ir um pouco mais além do comum.

 
Há algumas semanas, quando li esta citação, automaticamente, voltei no tempo – há cerca de ano. Naquele período, eu e minha família nos preparávamos para, mais uma vez, separarmo-nos de nosso amado Joilson Filho, pois ele resolvera realizar o sonho de retornar à Itália. Para concretizá-lo, não mediu esforços, na tentativa de conciliar o estudo regular da graduação com a participação em projetos, uma monitoria de italiano, a prática de esportes, entre outras atividades. Incrivelmente, não perdeu o foco. Sua disposição, determinação e persistência lhe renderam uma bolsa de estudos do Programa "Ciência Sem Fronteiras", na modalidade “Graduação Sanduíche”. Jamais esqueci o brilho de seus olhos quando soube que sua bolsa fora aceita pela instituição do exterior.

 
As reações de familiares, amigos e professores foram diversas: foi apoiado por uns, desencorajado por outros, mas não desistiu. Após cumprir todas as exigências para este intercâmbio, partiu a busca de seus objetivos.
 

Como jamais perdemos o contato, posso testemunhar e comemorar o seu sucesso. Em relação ao cumprimento de suas metas, ele se superou: atingiu a nota máxima em uma das disciplinas, ficou acima da media em outra, foi notícia em jornais nacionais e internacionais, realizou a contento o seu estágio, fez excelentes amizades, renovou outras tantas, aproveitou recessos e finais de semana para conhecer outros lugares e sempre aprender um pouco mais.

 
Em território italiano, obrigado a conviver com a saudade, as diferenças, a rotina, as responsabilidades e as cobranças, tem mantido o equilíbrio e contornado as dificuldades extras de quem vive no estrangeiro. Joilson Filho honrou o compromisso assumido com ambas as universidades, seus professores, o governo brasileiro e consigo mesmo. Aproveitou todas as oportunidades e soube valorizá-las.

 
O dia de seu retorno se aproxima. Dia após dia, ele segue escrevendo a sua história, pintando um belo quadro de sua vida. Estamos contando os dias para podermos matar a saudade dele.

 
Joy, seja bem-vindo ao seu país, à sua cidade e ao seio de sua família que lhe ama e se orgulha de você.

sábado, 13 de julho de 2013

Edy Lemos: nosso grande cantor

Edy lemos em seu show no Teatro Dix-huit Rosado.

Mossoroenses que foram ao prestigiar o seu conterrâneo Edy Lemos.

Como tenho o hábito de consultar a folhinha todas as manhãs, nesta data, descobri que, entre outras coisas, comemora-se o Dia do Cantor. Na verdade, como ainda não foi determinado legalmente, além deste dia, há outro dedicado aos profissionais do canto: 27 de setembro. Não desmerecendo as demais profissões, digamos que é um privilégio merecido.
Quem ama música – como eu – naturalmente também valoriza o profissional que a traz para si de uma forma tão especial e singular.
Particularmente, admiro muitos cantores tanto nacionais quanto internacionais, inclusive alguns que já faziam sucesso antes mesmo de eu nascer, como é o caso de Frank Sinatra, que, com sua excelente dicção, ajudou-me a aperfeiçoar o meu inglês.
Todavia, hoje, a primeira pessoa de quem eu me lembrei para citar como exemplo foi o mossoroense Edy Lemos.
Há cerca de dois meses, eu e alguns familiares, tivemos o privilégio de assistir a um de seus shows, no Teatro Dix-huit Rosado.

Uma pose ao lado deste digno representante do potencial artístico e cultural
de Mossoró-RN-Brasil.
 
Dona Conceição (mãe do artista), eu e ele.

De fato, é um cantor de voz e com presença de palco admiráveis. Confesso que seria capaz de escutá-lo cantar por horas seguidas com imenso prazer.
Na ocasião, a sua linda e potente voz deu vida a um repertório diversificado de sucessos para todos os gostos e idades. Mesmo com os olhos vidrados no palco, cuidei de registrar todos! Duvida? Pois aqui estão eles: “Sufoco”, “Casinha Branca”, “Solidão de Amigos”, Nêga Tony”, “Amigos para sempre”, “Agonia”, “Feitiço de amor cigano”, “Foi Deus”, “Os amantes”, “Hino à Santa Luzia”, “Laurindinha” (e outras canções populares de Portugal), Porto Solidão”, “Sonhos de um palhaço”, “Que será?”, “Retalhos de cetim”, a famosa “Conceição nome de santa”, “Ave Maria brasileira”, “Tango pra Teresa”, fado de Amália Rodrigues, “Só nós dois”, Ai Mouraria, o fado de Lisboa “Cantor Latino”, encerrando com “Não deixe o samba morrer”.
Edy Lemos reúne todos os requisitos que um artista de gabarito precisa possuir. Não foi à toa que sua fama se espalhou pelos cinco continentes. Além de seu indiscutível talento, de sua força de vontade e persistência, mais de duas décadas na Europa contribuíram decisivamente para suas conquistas.
Não resta dúvida de que seus conterrâneos reconhecem seu valor, mas, a meu ver, ele merece mais – muito mais! Ele é grande e deve ser tratado como tal.
De minha parte, aproveitei esta data comemorativa para lhe prestar esta merecida e prometida homenagem. Escrever estas linhas é o mínimo que posso fazer em retribuição pelo bem que me fez relembrar e reviver alguns momentos de minha vida, permitindo-me viajar, tendo como transporte a melodiosa voz deste cantor que tão bem representa o potencial artístico e cultural mossoroense.
Caríssimo Edy Lemos, que Deus te abençoe! Parabéns pelo cantor excepcional que tu és!
 
©Josselene Marques
 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Dona Luíza



Dona Luíza Leonês interagindo com crianças da SRM



É com imensa tristeza que escrevo estas linhas para homenagear a minha amiga e colega de trabalho: a bibliotecária Dona Luíza. Ela era o tipo de pessoa de quem gostamos de forma instantânea: alegre, comunicativa, afetuosa, prestativa, extremamente religiosa e, sobretudo, amiga, em quem se podia confiar e seus conselhos tomar.

Nossos laços foram ampliados pelo fato de também haver sido professora de sua filha Ana Luíza. Éramos parceiras na prazerosa tarefa de ensinar a sua princesa.

Nestes últimos meses de 2012, afastada da escola por motivo de saúde, sua ausência se fazia presente todos os dias; pois, desde que nos conhecemos, quando não a encontrava pelos corredores, costumava passar em sua sala para cumprimentá-la. Perdi a conta das vezes em que me auxiliou no atendimento às crianças com necessidades educativas especiais – cuidava delas, por alguns instantes, para que eu pudesse atender às chamadas telefônicas da GEED na sala da direção.

Hoje, na antevéspera do Natal, é lamentável ter a ciência de que uma vela se apagou. Não tenho inteligência suficiente para entender os desígnios de Deus. Portanto, o que me resta é aceitar e pedir que Ele cuide dela e conceda tudo de bom que Dona Luíza sempre fez por merecer, sendo um exemplo de ser humano no período em que esteve entre nós. Descanse em paz, minha amiga querida!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Que descanse o imortal!


Tocou-me profundamente a notícia da partida definitiva do renomado historiador, pesquisador e escritor caraubense Raimundo Soares de Brito – com relevantes e impagáveis serviços prestados a Mossoró.
Eu ainda era adolescente quando o conheci nas dependências do Museu Municipal. Na época, também funcionava, nesse mesmo espaço, a Biblioteca Pública. Raibrito trabalhava lá como pesquisador e gostava de incentivar os jovens não só a estudarem, mas também a colecionarem selos. Meu primeiro lote de selos foi um presente dele. Como, anteriormente, havia ocupado o cargo de Gerente Postal e Telegráfico em Mossoró, naturalmente, passou a colecioná-los – tinha uma caixa cheia deles e os ofertava a quem se interessasse por esse hobby. Por sua influência, acabei me tornando filatelista. Chegamos, inclusive, a participar de exposições do Clube Filatélico e Numismático Mossoroense, no qual ocupei o cargo de vice-presidente por alguns anos. Costumava visitá-lo, em sua residência, sempre que resolvíamos fazer um novo pedido às filatélicas brasileiras.
Na primeira vez em que lá estive, fiquei impressionada, melhor dizendo, encantada com todas aquelas estantes – que ocupavam quase a casa inteira – repletas de livros metodicamente catalogados. Era um verdadeiro paraíso para quem gosta de cultura, de história, enfim, de ler. Para completar, ainda tinha a sua amável e simpática esposa Dona Dinorah. Nessas ocasiões, conversávamos muito e, confesso, era difícil sair de lá, pois me sentia bem e não faltavam assuntos. Eram horas de valioso aprendizado com aquele experiente e sábio casal. Coincidentemente, depois que ela se foi, em 2004, tudo mudou: o trabalho me absorveu, a filatelia teve que ficar em segundo plano e o meu amigo, algum tempo depois, precisou mudar-se para Natal, a fim de cuidar melhor de sua saúde. Esporadicamente, sabia notícias suas pela mídia e através dos amigos que temos em comum.
Raibrito foi um homem que justificou sua passagem pela terra. Sua obra (cerca de 50 títulos) tem um valor incalculável. Mossoró lhe deve todas as honras, pois o fato de não haver nascido nesta cidade não o impediu de pesquisar, resgatar e preservar a nossa história.

(Escrito por Josselene Marques)

À direita, Raibrito em uma solenidade na Agência dos Correios de Mossoró
(Ano de 1974 - com um representante do Governo Federal)
Esta foto foi mais um presente de Raibrito para mim

O verso da fotografia e o seu oferecimento


Abaixo, a nota de seu falecimento:

Nota de falecimento: Raimundo Soares Brito


A Secretaria de Cultura do RN e a Fundação José Augusto comunicam com grande pesar o falecimento do grande escritor potiguar Raimundo Soares de Brito, Raibrito, que aconteceu na tarde desta terça-feira, 27 de novembro. O velório será realizado em Natal e o sepultamento em Mossoró. 

Raimundo Soares de Brito, popularmente conhecido como Raibrito, foi uma dos grandes expoentes da literatura potiguar, tendo escrito 50 títulos e ocupado a cadeira número 4 da Academia Mossoroense de Letras. Do seu hábito de colecionador, reuniu recortes de jornais, documentos históricos, catalogando-os e preservando parte viva da história contemporâneo do Rio Grande do Norte. De suas pesquisas nasceu um dos mais importantes registros sobre as ruas da cidade de Mossoró, o livro Ruas e Patronos de Mossoró.

Ao longo de seus 92 anos de história, foi um escritor de raros dotes e pesquisador autodidata, tendo entre suas grandes contribuições a criação da maior hemeroteca do Estado, o acervo virtual Raibrito, com o apoio da Petrobrás e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP). Além de ter sido sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, sócio-efetivo do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP),  sócio-efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN). E, em 1995, foi homenageado com o título Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte e, em 1997, com o diploma Amigo da Cultura. Sua trajetória evolutiva foi um testemunho de independência cognitiva, que ficará de exemplo para as próximas gerações.

Imagem: David de Medeiros Leite

Fonte:  http://secretariadeculturarn.blogspot.com.br/2012/11/nota-de-falecimento-raimundo-soares.html

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dia dos Professores


Meus votos para um feliz Dia dos Professores. Um abraço especial aos meus colegas e amigos que exercem esta profissão tão digna e importante.

sábado, 1 de setembro de 2012

Rumo ao centenário: 90 valiosos anos de vida

Maria do Carmo relendo "O grande industrial" de Jorge Ohnet 

É com prazer que faço este registro: há exatos 90 anos nascia Maria do Carmo de Farias. Esta tia – a quem amo como se minha mãe fosse – é a mais velha de cinco irmãos. Atravessando décadas e gerações, sua vida tem sido um exemplo de força, persistência e nobreza de caráter; sua presença/existência é um referencial, um porto seguro; enfim, ela é uma fonte inesgotável de sabedoria, experiência e memória – um arquivo vivo da história da nossa família que, há anos, vem sendo repassada a mim e a todos que por ela se interessam.

Entre tantas qualidades, o que mais me impressiona é o seu autodidatismo. É capaz de discorrer, com pertinência, sobre os mais diferentes assuntos do presente e do passado sem aparentar insegurança ou cansaço. Embora tenha cursado as séries iniciais na escola regular (superando obstáculos extras, como a falta de professores – qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência , alfabetizou-se aos sete anos), a maior parte do seu saber é oriunda da leitura espontânea e incansável de centenas de livros – muitos deles lidos, com avidez, à luz de lamparina.

Aos oito anos, foi incentivada, por seu pai, a ler o primeiro livro – meu avô o tomara emprestado. Diferentemente da maioria das crianças dessa faixa etária, que leem livros ilustrados ou gibis, o referido exemplar, um tanto volumoso para uma leitora iniciante, foi nada mais nada menos que “O grande industrial” (Le Maître de forges, escrito em 1882), um romance histórico do narrador e dramaturgo francês Jorge Ohnet (Paris, 1848 – 1918). O segundo, de sua vasta lista, foi “Carlos Magno e os 12 pares de França” cuja primeira edição data de 1728, de autoria do médico militar Jerônimo Moreira de Carvalho. Agora, imaginem o naipe dos outros que sucederam estes dois na sua adolescência, juventude e maturidade.

Certo dia, em uma de nossas conversas, ela manifestou o desejo de reler aquele primeiro livro de sua infância. Na ocasião, revelou-me que o havia procurado, mas infelizmente não o encontrara nem na biblioteca e muito menos nas livrarias locais. Sensibilizei-me e tomei como um desafio localizá-lo e adquiri-lo para ela. Graças à bendita internet, consegui comprá-lo em um sebo virtual. Reconheço-me incapaz de descrever a sua expressão de felicidade ao ter, em suas mãos, não apenas a oportunidade de voltar ao final da década de 20 – época em que leu esta obra, mas também ao final século XIX, tempo em que se passou a história narrada neste romance de cavalaria e de exaltação da fé cristã. 

Quando nasci, esta tia amada estava fechando a casa dos 40 anos e vivia bastante atarefada: sua energia e seu tempo eram dedicados ao esposo, aos sete filhos, às tarefas do lar e a um comércio que eles mantinham. 

Nossa afinidade vem de longa data e tem se manifestado de várias formas. A mais intrigante – até para mim – é o fato de, na minha infância, eu conseguir adivinhar o dia em que receberíamos uma de suas raras visitas – segundo minha mãe, nesses dias, eu acordava já falando a respeito dela e tínhamos apenas de aguardar umas poucas horas para vê-la chegar com o seu jeito todo especial e cativante de ser. 

Atualmente, além da coincidência de gostos e sentimentos, há uma espécie de comunicação extrassensorial de pensamentos entre nós: em determinados momentos, é recíproco e simultâneo o desejo de nos falarmos. Nessas horas, um contato telefônico contorna a distância, pois, lamentavelmente, não moramos na mesma cidade e as visitas têm se tornado, cada vez mais, inviáveis. Todavia, nosso laço é inabalável, pois é permanentemente fortalecido por sentimentos de amor, respeito, admiração e consideração. 

Fazer 90 valiosos anos com lucidez, ao lado dos familiares, é um privilégio e tanto. É mais uma marca. É fazer uma conversão para a estrada rumo ao centenário.

Na Sua Misericórdia, que Deus lhe conceda mais saúde a fim de que possa permanecer entre nós, com relativo conforto, pelo tempo que Ele permitir. 

Mesmo na distância, eu me faço presente através deste texto. Reafirmo o meu amor e digo: “quando crescer”, quero, no mínimo, ser parecida com a senhora. Feliz Aniversário!