Minha avó materna Mainha,
em frente à Vila Potiguar,
em Natal, posando para foto.
Foto: Arquivo pessoal
Arte: Josselene Marques
Nesta data, se entre nós ela ainda estivesse, comemoraríamos o seu 104° aniversário. Há quase 29 anos, um infarto do miocárdio motivou sua partida, nos privando de sua presença física.
Com ela aprendi muito do que sei; principalmente, os valores éticos e morais e a História Sagrada – que ela gostava de ler para mim. Também me ensinou a preparar os alimentos, a plantar, a cozinhar com carvão - quando faltava o gás. Naquela época, era comum o uso dos fogareiros e a preocupação com o meio ambiente era mínima, pois a maioria não tinha consciência dos danos que suas ações, aparentemente inofensivas, poderiam causar.
Amadureci cedo, pois Mainha – era assim que seus netos a chamavam – me transmitiu uma boa parte de sua experiência de vida. Menina obediente, eu costumava ouvir e seguir os seus conselhos, que sempre valorizei.
Por muitos anos, no período da manhã, fui sua única companhia. Na casa de minha avó, moravam mais duas pessoas: uma de suas filhas e uma neta. Ambas saíam para trabalhar e eu, de volta das aulas de educação física e handebol, ficava com ela até que as mesmas retornassem.
Essa convivência diária, além de enriquecedora, era prazerosa, pois nos entendíamos muito bem. Compreensiva e complacente, raramente, me recriminava por minhas faltas - e, desta mesma forma, ela agia com os demais. Preferia me mostrar as desvantagens de insistir em algo que poderia causar danos a mim mesma ou a outrem.
Ficou viúva, aos 32 anos, numa quinta-feira da Semana Santa, e resolveu dedicar-se, incansavelmente, ao trabalho e à família. Preocupava-se com todos e, apesar das poucas posses, sempre arranjava um jeito de ajudar aos que a ela recorriam – inclusive desconhecidos. Sua vida foi um exemplo. Suas lições jamais foram esquecidas e sua descendência é a prova real de que seu desprendimento e seus esforços não foram em vão.Copyright © Josselene Marques
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