quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Os primeiros professores do mundo



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Hoje, l5 de outubro, é o Dia do Professor.


Estou aqui a refletir a razão pela qual nossa categoria é tão desvalorizada apesar de os professores, em sua maioria, estarem sempre buscando qualificar-se, atualizar-se, especializar-se, enfim, fazer o melhor pela sua profissão e pelo seu alunado. Observo, ainda, que esses profissionais fazem avaliação contínua de sua metodologia e que os técnicos em educação lhes fornecem parâmetros curriculares cada vez mais ampliados e diversificados. Então, por que não é valorizada sua importante missão de formar os cidadãos do futuro?
Para descobrir a razão, recorri à história. A pergunta lógica que fiz: quem foram os primeiros professores do mundo? E a história, prontamente, me respondeu: os sofistas. Esta era a denominação de um grupo de intelectuais, pensadores e cientistas que sistematizavam e transmitiam grande parte do conhecimento que, ainda, é estudado na atualidade. Eles eram conhecidos pela sua inteligência e alta habilidade de argumentação. Esses mestres itinerantes surgiram na Grécia por volta dos séculos IV e V a.C. e, em suas viagens, tentavam atrair jovens para oferecer-lhes educação e encaminhá-los na vida pública em troca de vultosa remuneração. A princípio, eles gozavam de grande prestígio social e eram respeitados por sua capacidade intelectual já que dominavam técnicas avançadas de discurso e conquistavam, facilmente, a adesão de seus ouvintes, embora, o que falavam nem sempre fosse verdade. Pregavam, por exemplo, que a verdade surgia a partir do consenso entre os homens. À medida que se destacavam, defrontavam-se com opositores intransigentes, como Sócrates, que discordavam de sua prática e de suas idéias. Enquanto Sócrates induzia seus discípulos a questionarem, os sofistas ensinavam aos seus alunos ideologias para manobrar o povo. Os sofistas tiveram grande influência na política grega e, por este motivo, foram perseguidos, ameaçados e alguns até assassinados. Protágoras, o principal deles, foi acusado de ateísta e teve seus livros queimados em praça pública. Sua visão democrata relativista se opunha à verdade universal defendida por Platão e Aristóteles. Em conseqüência dessas perseguições, toda referência aos sofistas passou a ser feita de modo depreciativo. Para agravar mais a situação, infiltraram-se entre eles charlatães, sem escrúpulos, cobiçosos de conquistar fama e riqueza. Estes ensinavam aos seus discípulos, unicamente, a arte de vencer seus adversários e pregavam que para levar vantagem não é necessário justiça e retidão, mas prudência e habilidade. Desta forma, por séculos, as pessoas que transmitiam o conhecimento passaram a ser vistas com desconfiança ou reserva. As implacáveis críticas dos filósofos fizeram com que eles fossem considerados meros comerciantes do saber. Somente a partir do século XIX, o filósofo alemão Hegel (1770-1831) reavaliou as idéias dos sofistas e as considerou como um estágio relevante para a evolução do pensamento grego.
Diante de tudo o que a história me revelou, concluí que a má fama dos sofistas se perpetuou e acabou atingindo os professores através dos tempos. Por mais que se esmerem e sejam necessários, a sociedade os vê como pessoas que oferecem “perigo”, pois detêm o conhecimento e o poder de formar e reformar mentes e, dependendo da forma como as manipulem, poderão comprometer a “ordem” imposta pelos investidos de autoridade e aceita pelos acomodados, ingênuos, alienados e ignorantes. Que esta constatação não nos desestimule e sim nos faça ter cada vez mais consciência do importante papel que temos e desempenhamos para promover a transformação do mundo em um lugar melhor e mais justo.
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Um comentário:

Anna Lhamas disse...

Me fora extremamente útil este artigo. Parabéns pela bela elucidação!